11.10.11

Resposta

Falávamos das paixões e de todos os sintomas que nos entregam sem aviso prévio. Sem querer minimizar a dimensão e as tatuagens com que nos marca a paixão, para o bem e para o mal, eu dizia que as borboletas (aquelas do estômago) não eram o caminho. Concordou. E perguntou-me como se reconhece então o trilho "certo". Como, identificado o padrão que inclui as ditas borboletas, se reconhece um potencial "destino" de excepção? Não soube dizer. Até que encontrei a resposta na borboleta. Sim. Na borboleta. Não nas 300 que decidem instalar-se na nossa barriga enquanto nos cegamos de desejo por quem não conhecemos de todo (embora achemos que sim e que até pode vir a ser a tampa da nossa panela, a metade da nossa laranja, o yin do yang, o Marco da Heidi). Não nas 300 que organizam raves diárias (free-pass incluído), perturbando-nos com um constante estado de inquietação narcótica que nos tira a fome, o sono e a concentração. Reconhecemos o bom caminho quando a borboleta somos nós. Nós perante alguém que, calmamente, nos devolve a singularidade. Alguém que, simplesmente, nos permite ser. Alguém que não nos tira a fome mas, antes, nos convida a apreciar uma boa refeição e a ter prazer nisso. Alguém que nos surge no sonho como mensageiro de uma noite reparadora. Alguém que desperta o melhor de nós e, de algum modo, aumenta a velocidade com que corremos atrás de objectivos, cada vez melhor definidos. Alguém que nos inspira a querer trabalhar melhor. Alguém que nos faz dar ao trabalho. Reconhecemos que estamos bem encaminhados quando aquela pessoa, que não reclama tremuras, suores ou palpitações desenfreadas, nos eleva, antes, ao patamar da excelência do eu assumido e pleno. Reconhecemos que pode muito bem ser por ali quando somos, tão somente, nós. Nus e crus. Na complexidade das nossas qualidades, defeitos, sonhos, feridas. Acredito que é por aí quando, lentamente, a sair da crisálida, dizemos: olá, esta sou eu.

 

"Segundo a cultura popular, a teoria apresentada [Efeito Borboleta], o bater de asas de uma simples borboleta poderia influenciar o curso natural das coisas e, assim, talvez provocar um tufão do outro lado do mundo." via Wikipedia
publicado por ARA às 21:43
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