10.6.12

Agora percebo porque não é frequente.

Nunca tinha visto alguém numa cadeira de rodas usar um transporte público em Lisboa. Até há uns dias. Até esse momento, pensava que o botão com o símbolo de mobilidade reduzida nos autocarros (do lado de fora, ao pé da porta traseira), fosse um mecanismo funcional de "aí vai a rampa toda xpto para a pessoa da cadeira subir facilmente". Mas descobri que, pelo menos naquele 745, o botão emite um sinal sonoro e significa algo como "motorista, agora travas o carro e vens até cá atrás com toda essa pouca vontade levantar o que eu pensava ser um alçapão mas que é, afinal, a mini rampa manualmente accionada, disponibilizada com toda uma nuvem de pó". No mesmo dia, curiosamente, deparei-me com a primeira cadeira de rodas a circular no metro. Com ela, três seguranças da estação iriam prestar apoio (apenas um foi necessário). Na estação de destino, já lá estava um quarto para ajudar a tirar a cadeira da carruagem. Desconheço a realidade da adaptação (ou falta dela) dos transportes públicos às cadeiras de rodas noutros países, é um facto. Mas posso falar do que vejo no meu país. E vejo que uma acção que deveria ser "normal" causa uma enorme estranheza a quem segue viagem. Causa uma enorme má vontade ao motorista que não disfarça um pensamento como "bolas, tenho que ir lá atrás levantar aquela porra". Causa insegurança aos seguranças que pensam que é necessária a força de três homens para inclinar a cadeira e conduzi-la para dentro da carruagem. Não sei se noutros países os transportes públicos apresentam uma melhor adaptação a quem vive a vida numa cadeira. Talvez tenham paragens com uma espécie de pontão de espera, ao nível do piso do autocarro, que facilite a entrada. Talvez o metro tenha uma carruagem específica para mobilidade reduzida, que páre numa zona devidamente marcada nas estações, com uma rampa incorporada. Talvez sim. Talvez não. O que sei é que no meu país já se mudou o nome de uma estação de metro para a insígnia de uma marca toda-poderosa. Nessa estação dão-se concertos, há exposições e wireless gratuito. Mas quem está na cadeira não pode ter acesso a nada disso se quiser entrar na Baixa-Chiado. É que os elevadores ligam o piso das bilheteiras à plataforma do metro...mas não o fazem ao exterior. Para isso, terá que se deslocar ali aos Restauradores (se o elevador de rua funcionar) e chamar o segurança (ou três) para recuar uma estação de metro.

publicado por ARA às 19:19
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2 comentários:
De Dulce a 11de Junho de 2012 às 02:09
Não tenho memória de alguma vez ter visto alguém de cadeira de rodas a circular nos transportes de Lisboa, cidade onde vivi 10 anos. Acho que isso diz tudo. Essa adaptação «desenrascada» mas não funcional, que ainda por cima depende da (má) vontade dos funcionários..., afasta qualquer vontade dos visados em optar pelos transportes públicos... :(
De ARA a 13de Junho de 2012 às 00:47
É mesmo Dulce :(

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